Dando prosseguimento ao levantamento histórico que envolveu a polêmica do título de 1987, o
agora aborda o ano em questão, citando alguns dos aspectos que foram fundamentais para a legitimidade do título conquistado pelo
naquele ano.
Boa parte da imprensa do sudeste ainda distorce os fatos, tentando justificar o impossível, incorreto e incoerente título que atribuem ao Flamengo.
Vejamos os seguintes pontos...
É verdade afirmar que a CBF, desde 1986 vivia uma crise administrativa, agravada pela eleição de Otavio Pinto Guimarães, que supostamente seria "Testa de Ferro" de Nabi Abi Chedid na briga pela cadeira principal da entidade, em duelo com Medrado Dias.
A idéia de ter Otávio como cabeça da chapa se dava pelo risco de Nabi empatar com Medrado Dias (Dias levava vantagem por ser mais velho que Chedid, usado como critério para desempate).
Nem seria preciso, pois a chapa de Nabi ganhou por 13x12, após mudança de voto de Antônio Aquino (Presidente da Federação do Acre, na época), além do voto em branco de Belmiro Costa (Amazonas). Fala-se muito inclusive num possível esquema de compra de votos, mesmo que sem comprovação.
As confusões que explodiram na Copa Brasil de 1986, já mudaram os planos da CBF que precisava reduzir o número de participantes da competição, formando uma primeira divisão com 24 clubes. Acabou cedendo para 28 times, definidos como os 7 melhores classificados da 2ª fase da edição de 1986.
Vale ressaltar que mesmo estando entre as 28 melhores campanhas no geral, nem Ponte Preta (21º), nem Sport (27º) teriam direito a disputar a primeira divisão em 1987. Atlético-GO (28º) e Náutico (301º) se deram melhor na 2ª fase e conquistaram o direito a essas vagas.
Segundo a revista
Trivela (maio/07), Otávio Pinto havia declarado que seria inviável a realização da Copa Brasil em 87, o que deu margem para que os auto-proclamados grandes clubes do Brasil idealizassem uma competição entre si, buscando um contrato de U$ 18 milhões com patrocinadores, com validade de 5 anos.

O Jornalista
Sérgio Baklanos, conta que a formação do Clube dos 13 se deu após uma pesquisa nacional onde identificaram os 13 times com maior poder de arregimentação de massas. Para formar os 16 times, por questões políticas, foram convidados Coritiba, Goiás e Santa Cruz.
O resultado da mais insana virada de mesa do futebol brasileiro é que enquanto 14 times que tinha conquistado seu direito em campo (ver quadro "os excluídos"), Botafogo e o Coritiba não teriam direito algum de participar (ver quadro "pela janela"). Logicamente, equipes como América, Guarani e Portuguesa, que junto com Joinville e Criciúma tinham chegado entre os 16 melhores na última competição, reclamaram por seus direitos. Não havia outra saída para a CBF diferente de formar um novo grupo de times para validar o Brasileiro.
Dois erros foram fundamentais para a confusão: a falta de iniciativa da CBF e a falta de critério do Clube dos 13 em organizar o campeonato que inegavelmente trouxe volumosos recursos para o futebol nacional, mesmo que a grande fatia esteja ainda restrita ao próprio grupo.
Para compor o grupo dos excluídos com outros 16, bastariam incluir mais 2 times além dos 14 já citados. Por critérios técnicos, essas vagas deveriam ser preenchidas por Ponte Preta e Sport, mas ao invés da equipe de Campinas, quem ficou com a última vaga foi o Vitória.

Foi acordado e assinado documento que previa um quadrangular entre os campeões e vices dos Módulos Verde (Copa União) e Amarelo (Copa dos que sobrariam).
Mesmo não aceitando os termos, o Clube dos 13 assinou o regulamento, para que pudesse ter legitimidade o campeonato que disputavam, evitando complicações maiores até com a FIFA.
Entre eles (Clube dos 13), o discurso era que não fosse realizado tal confronto, tentando de todas as formas persuadir a CBF a concordar com essa proposta.
Sport e Guarani, finalistas do módulo amarelo, cumpriram o acordo e estiveram presentes nas duas primeiras rodadas do quadrangular, vencendo ambas por W.O.. Depois, já sabendo que Flamengo e Internacional não iriam disputar os jogos, ficou decidido a antecipação do segundo jogo, concluindo o quadrangular.
Nas partidas entre Sport e Guarani, tivemos o seguinte resultado:
31/01/88 - Guarani 1x1 Sport
07/02/88 - Sport 1x0 Guarani
Conclusões....1. A CBF foi uma das principais catalizadoras da polêmica. Sem rumo e sem estrutura, cedeu espaço para que os clubes que formaram o C-13 tomassem de forma arbitrária e pirata a organização do futebol;
2. O Flamengo é indiscutivelmente o campeão da Copa União. O Sport é indiscutivelmente o campeão do Brasileiro de 1987;
3. Equipes como Rio Branco, Joinville, Ceará, CSA, Atlético-GO e Treze que conquistaram seu acesso no campo, até hoje não tiveram seu direito restabelecido, sendo as maiores vítimas de toda a desorganização criada na época.
4. O América que disputou a Copa União de 1988, após quase 1 ano de inatividade por não concordar com toda a manipulação ocorrida em 1987), nunca mais voltou a figurar com força no cenário nacional.
5. Em 1988, mais uma vez não teve rebaixamento e os 8 melhores integrantes do Módulo Amarelo integraram a 1º divisão, ao lado dos 16 do Módulo Verde. Tecnicamente, uma mesma fórmula de disputa foi aplicada em 1993, quando apenas dois grupos teriam times com ameaça de rebaixamento, favorecendo o Grêmio.
6. Representantes do Brasil na Libertadores 88: Sport e Guarani.
7. Todos podem afirmar que o título de 87 é rubro-negro, contudo, jamais em referência aos rubro-negros cariocas...
Leiam também:
O título de 1987, pelo Blog dos Números (parte 1)