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sábado, 10 de janeiro de 2009

Conversa em Retalhos: A bola vai rolar

Dentro de poucas horas, a bola rola na Ilha do Retiro. Sport e Acadêmica Vitória dão início à 95ª edição do Campeonato Pernambucano. O Sport é o papão de títulos, com 37 conquistas, contra 24 do Santa Cruz e 21 do Náutico. Fora desse trio, o time que mais vezes foi campeão é o América, com seis conquistas. O Leão tenta ser tetra para chegar ao penta, ao hexa e ao hepta. O objetivo é acabar com essa história dos alvirrubros de que hexa é luxo. O pessoal da Ilha nega, mas no fundo, no fundo, todos têm esse pensamento. A Acadêmica Vitória, é como aquele célebre samba do pernambucano Carlos Pena Filho, que diz “você tem quase tudo dela, o mesmo perfume, a mesma flor...” Pois é, as cores são as mesmas, o escudo praticamente o mesmo, o estádio idem. O que muda mesmo é o nome. O clube anterior era Associação Desportiva Vitória. O atual é Associação Acadêmica Vitória. A mudança foi causada pelo mesmo motivo que levou Fernando Bezerra Coelho a criar o Santa Cruz S/A: inviabilidade financeira. É esse o time, para uns o Vitória, para outros a Acadêmica Vitória, que encara o Sport neste sábado, às 15h30, na Ilha do Retiro. A TV Globo, parceira permanente dos clubes no certame estadual, vai mostrar o jogo. O time de Vitória de Santo Antão fez 26 contratações. A atração principal é o volante Índio, que foi campeão mundial pelo Corinthians. À frente da equipe, um velho conhecido, Peu Santos. O Sport conta com a equipe do ano passado, posto que Paulo Baier e o retornado Hamilton não tem ainda condições de estrear. O Leão é favorito, mas não pode entrar em campo com a certeza da vitória porque o Tricolor das Tabocas promete fustigá-lo. e-mail para contato: moraesaragao@yahoo.com.br

terça-feira, 21 de outubro de 2008

Causos do nosso futebol: Sopa com gordura

Numa quarta-feira, o Íbis foi a Caruaru enfrentar o Central pelo Campeonato Pernambucano. A vitória do time da casa era tida como favas contadas. Falava-se em goleada. O Central era a quarta força do futebol pernambucano e vez por outra fustigava os grandes. Primo pobre, ao contrário de Náutico, Santa Cruz e Sport, que levavam seus jogadores para o Hotel Centenário, onde descansavam e eram muito bem tratados pelo dono do estabelecimento, Aluísio Souza Lima, o conhecido Aluísio Gata Maga, por sinal, diretor do Central, o Íbis foi direto para o bar de Hélio Mota, perto do antigo Mercado da Farinha. O preço era camarada, bem à altura da peãozada do mercado. A condução que levou os ibienses à Capital do Agreste, encostou lá. Ozir Ramos, o presidente do clube, acertou para o pessoal jantar e recomendou a Hélio que a refeição deveria ser leve, na base do arroz e da carne na brasa ou na chapa, sem um pingo de gordura. Dito isso, saiu para fazer uma ligação interurbana, numa época em que havia um único posto telefônico em Caruaru. Enquanto os jogadores aguardavam o jantar, o movimento tornava-se intenso no estabelecimento, com o fim do expediente no mercado. Hélio Mota era um fanático chefe de torcida, que não faltava a um jogo do Central, fazendo-se acompanhar da uma animada charanga. A atração no bar, naquela hora, era uma sopa fumegante, que saía a três por dois, e logo despertou o apetite do goleiro Negola. Dirigindo-se ao balcão, Negola pediu: "Seu Hélio, bote uma sopa dessas pra mim". O comerciante ponderou: "O chefe de vocês avisou que a comida tinha que ser leve". "Que nada, isso não tem problema. O caso é que eu estou morto de fome", retrucou o goleirão. Compadecido, Hélio serviu um prato pra lá de quente, acompanhado de uma pimenta bem caprichada. "Seu Hélio, me dê uma pituzinha pra abrir o apetite", pediu Negola. "Rapaz, você não vai jogar?", "Vou jogar, mas isso não atrapalha". O goleiro foi atendido, Outros jogadores aderiram ao prato. Foi quando despertou em Hélio Mota o lado torcedor. Caprichou na gordura, preparando os adversários para uma futura dor de barriga e a conseqüente queda de produção. No estádio, disse que quem quisesse apostar no Central que o fizesse, pois garantia que o Íbis não daria para a saída. Depois do jogo teve que dar muitas explicações. É que, em vez do Íbis, quem parou em campo foi o Central, que perdeu o jogo por 1 x 0. Sem sopa e sem gordura. Mais histórias nos livros No Pé da Conversa e Comigo ou sem Migo ou pelo site www.nopedaconversa.com.br Contato pelos telefones (81) 3325.1426 e (81) 8807.5292 ou pelo e-mail moraesaragao@yahoo.com.br

terça-feira, 27 de maio de 2008

O eterno ídolo

Kuki, o quarto artilheiro da história do Náutico, com 177 gols, perdendo apenas para Baiano (181), Fernando Carvalheira (185) e Bita, o maior de todos (223), está encerrando sua passagem pelo Náutico. Uma passagem vitoriosa, é bom que se diga. A trajetória desse cearense de Crateús, gaúcho de vivência – chegou ao Rio Grande do Sul ainda criança de braço – tem sido uma das mais fulgurantes. Tudo começou em 2001, quando o Náutico reunia fora de campo todas as suas forças com o objetivo de armar um time capaz de levá-lo a reconquistar o título de campeão pernambucano, depois de uma já enfadonha espera que ia chegando a 11 anos. O Alvirrubro comemoraria seu centenário. O Sport dava as cartas no futebol pernambucano. Era pentacampeão e marchava para o Hexa. Igualaria a maior conquista do Timbu em toda a sua existência, fazendo com que a frase “hexa é luxo”, que é pronunciada com tanto orgulho pela timbuzada, perdesse a sua consistência. Fez-se um grande movimento, à frente Wilson Campos, velho baluarte alvirrubro, que teve o mérito de unir as mais diferentes tendências, trazendo às lides gente que já não acompanhava o clube de perto. O time foi sendo formado, com os jogadores tendo as mais diversas procedências, a começar pelo hoje supervisor do futebol alvirrubro, Sangaletti, e seu companheiro de meio-campo no Sport, Wallace. Ambos saíram magoados da Ilha do Retiro e terminaram dando uma valiosa contribuição ao clube dos Aflitos. A grande surpresa, primeiro uma interrogação, depois uma doce resposta, veio do sul do Brasil, mais propriamente de Santa Catarina. Goleador da segunda divisão catarinense, Kuki, que tivera uma vida tortuosa e se recuperara, passando a encarar a profissão com a seriedade por ela imposta, chegou ao Recife como um mero desconhecido. O resto da história todos já sabem. O atacante baixinho começou a se impor perante a torcida e a imprensa, fazendo gols a torto e a direito, e mostrando um espírito de luta que se irradiou por toda a equipe. Logo tornou-se ídolo. Teve uma valiosa participação na conquista do título no ano do centenário alvirrubro, bem como no bicampeonato (2002) e no de 2004. Até os dias atuais teve duas rápidas saídas (Coréia e Santa Cruz). Voltou a se abrigar sob o manto branco e vermelho. Ajudou o Timbu a recuperar seu prestígio, que andava em baixa nacionalmente. Por fim, Kuki também contribuiu para a volta, em 2006, do Náutico à primeira divisão nacional, ele que fora uma das vítimas da famigerada tragédia dos Aflitos diante do Grêmio em 2005.. Aos 37 anos, mostrando muita disposição para prosseguir na carreira, Kuki está deixando os Aflitos, creio que definitivamente, como jogador. Vai dar sua ajuda ao Bahia, que luta para voltar à elite brasileira. Sem dúvida, ainda está em condições de colaborar, com seus gols e seus passes extraordinários, para a recuperação do tricolor baiano. Mesmo longe dos Aflitos, Kuki será eternamente lembrado por uma torcida que tanto o admirava. Com seu jeito de ser, com suas arrancadas e com seus gols, além da interação com o torcedor, o cearense-gaúcho tornou-se em Pernambuco um ídolo, não apenas dos alvirrubros, mas de todas as torcidas. e-mail para contato: moraesaragao@yahoo.com.br