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quinta-feira, 4 de junho de 2009
terça-feira, 2 de junho de 2009
O Grau 10 Internacional
Não poderíamos deixar de prestar essa homenagem a Adilson Couto, o "Grau 10 Internacional" que nos deixou na última quinta-feira, 28 de maio.
Couto sempre foi uma figura impar, no seu jeito de tratar as pessoas, na sua forma de trabalhar. Com o "dom" da voz, emocionou muitas torcidas, descrevendo com precisão o lance máximo do futebol, o gol.
Seu carisma elevou suas narrações a um patamar quase inigualável, sendo a referência na narração esportiva de Pernambuco.
Seus jargões, simplesmente inconfundíveis. "Que vergonha...." dizia em referência aos lances bizarros de uma partida. Queria incentivar a torcida? "O coração do torcedor faz tum, tum ,tum".
Adilson Couto esteve presente no trabalho do Blog dos Números, quando em 2007, em parceria com a Rádio Jornal, Adethson Leite divulgava o scout ao vivo das partidas de Náutico e Sport no Brasileirão. Diante do complicado nome de nosso editor, o grande Couto muitas vezes não acertava. "Aderson Leite, quais os números da partida?". A força da narração de Adilson era tão forte, que quase Adethson mudava de nome (Muita gente passou a chamar de Aderson também).
O carinho por esse locutor era imenso. Certamente uma pessoa que com toda sua simplicidade cravou um lugar em nossos corações.
No domingo, nos Aflitos, ao invés de um minuto de silêncio, um minuto de palmas. Agradecimento para aquele que agora lá de cima está cuidando de nós, com certeza. Como diria Marcela, sua filha, o "mala" agora tá dando trabalho e fazendo a festa entre os que também já nos deixaram.
Por isso, aos familiares do "Grau 10", nossos agradecimentos por ter alguém tão amado entre nós. Desejo de força, para seguir em frente e que a herança moral deixada pelo ídolo do rádio pernambucano ilumine os caminhos de todos que sentem a grande perda.
sexta-feira, 16 de janeiro de 2009
O Pai de Agustín (Por Roberto Vieira)
O pai de Agustín estava feliz. Acabara de marcar o centésimo gol com a camisa do Brasil de Pelotas. Tamanha foi a alegria, que o pai de Agustín pulou o alambrado. Foi comemorar com a torcida. E voltou a campo sem o par de chuteiras. Par de chuteiras que iria presentear a seu filho único.
Parece que foi ontem. Semana que vem completa um ano.
Hoje, os olhos de Agustín estão úmidos. Rasos d'água. E os olhos de uma criança jamais deveriam chorar. Mas a vida tem seus momentos de gols e seus momentos de derrotas. Com o tempo, a gente aprende que algumas derrotas são eternas. Únicas. Paradoxais.
A torcida alvirrubra, assistiu o pai de Agustín defendendo o Clube Náutico Capibaribe. Um uruguaio dividindo a responsabilidade de fazer gols com Adriano. Era um tempo de vacas magras. Raquíticas. Entretanto, o pai de Agustín saia de campo invariavelmente suado. Cansado pela entrega em campo durante os 90 minutos. Para ele, o impossível era uma metáfora.
Tal esforço e dedicação, ele levou para o rival Santa Cruz. Com esse espírito de luta, ajudou o tricolor a voltar a Série A do Brasileirão. Não sem antes participar de um episódio pitoresco. O Santa Cruz precisava de apenas um empate contra o Goiás na última partida. Todo mundo em campo se fingiu de bobo. Todos? Menos o pai de Agustín. Ele jogou, driblou, meteu uma bola na trave. Teve que ser substituído pelo técnico Nereu Pinheiro.
Porque o Pai de Agustín não sabia o que era jogar sem lutar. Sem buscar a vitória.
Hoje, numa curva da BR-392, em Canguçu, Rio Grande do Sul, o pai de Agustín perdeu sua última partida. Uma daquelas derrotas eternas. Únicas. Paradoxais. Uma batalha para a qual nenhum drible se impõe: A batalha da vida.
O pai de Agustín já não irá lhe presentear com seu par de chuteiras. Nem vai lhe contar dos seus gols. Das suas arrancadas. Não verá o filho correndo pelos gramados da escola, estufando as redes imaginárias da adolescência. Não verá o filho do seu filho. Agora, o pai de Agustín é a lembrança do seu filho e da sua esposa, Carolina.
Daqui do Recife, nesse dia de chuva torrencial, os torcedores mandam suas lembranças.
Agustín!
A lembrança de um gol nos olhos do seu filho, é a mais bela lembrança que um jogador de futebol leva dessa vida.
Lembre do seu pai, Cláudio Millar, como ele gostaria de ser lembrado. Como nós todos iremos lembrar.
Lutando, correndo, marcando gols.
Pode parecer pouco. Mas, alguns gols, é tudo que se leva dessa vida...
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