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sexta-feira, 20 de março de 2009

Jeremias

... Deste modo quebrarei eu a este povo, e a esta cidade, como se quebra o vaso do oleiro, de sorte que não pode mais refazer-se. Quatro horas. Jeremias chega no estádio. Pega o ingresso com a galera e toma a primeira cerveja. Puxa o primeiro fumo. Ouve no som aquela música do Pearl Jam com seu nome. Outra cerveja. Jeremias que não consegue enxergar direito. Os times entram em campo. Jeremias é Deus entre seus amigos. O único lugar onde alguém pode ser feliz nessa vida é em um estádio de futebol. Meio dia. O almoço na mesa. O copo de requeijão com o suco de laranja. Jeremias senta na sua cadeira. O pai de Jeremias cospe a comida no prato. E sua mão direita avança sobre o rosto da mãe de Jeremias. No instante seguinte, o rosto da mulher voa na parede azul da sala. - Salgada de novo, sua vadia! A mulher se levanta, zonza. O mundo gira e uma música estranha acompanha seu cérebro. Ela pega os pratos e vai pra cozinha em silêncio. - Está olhando o que? Vai querer apanhar também? Jeremias olha o pai. Como um espelho. O rosto barbado e com cheiro de cigarro já faz parte da sua vida. Dorme nos seus sonhos. Mas Jeremias não é rápido o suficiente para não pensar. E um murro o atinge no olho direito. Jeremias cai no chão da sala. No tapete marron da sala. Com cheiro de cêra. É melhor não levantar. Jeremias se enrola na camisa sagrada. Chora sob o tecido encardido. 'Jeremy spoken'. A bola chega nos pés de Vadinho que dribla seu adversário e fica cara a cara com o o gol. Jeremias grita e no momento seguinte a bola toca na trave e beija o chão. 0 x 0. Silêncio na cozinha. Dez, vinte, trinta minutos. O pai de Jeremias levanta e tira o cinto. Jeremias caído no chão, reza. Uma reza antiga, daquelas que não adiantam de nada, como ele já aprendeu. Silêncio. O que houve? O rapaz também se levanta e caminha até a cozinha. O pai está sentado numa cadeira. No chão, uma mulher agoniza. Os pulsos mal cortados pela faca cega de manteiga. A peixeira da carne enterrada no coração. Contra ataque. O centroavante adversário toca na bola de cabeça antes do goleiro. É gol. De repente tudo está perdido. Irremediavelmente. A defesa fala para o goleiro: - A culpa é toda sua, seu P...! O pai de Jeremias retira a faca da esposa. De repente está tudo perdido. Irremediavelmente. E olhando para Jeremias, proclama! - A culpa é toda sua, seu P...! Jeremias é levado para a sala sob pontapés, chutes, socos, murros, joelhadas, impropérios, séculos. Quando cai sobre o sofá, um copo de requeijão cai em suas mãos. Quebrado. Quando o pai de Jeremias se lança sobre o filho, a mão do rapaz enfia os cacos de vidro no pescoço paterno. Silêncio. Silêncio na arquibancada. Quebrado por um grito de guerra. As duas torcidas avançam no final da tarde. Uma pedra passa pelo rosto de Jeremias que derruba um outro menino com um golpe de puro desespero. Em cada adversário, um pai. Jeremias enlouquecido pela dor, pelo desespero, pelas cervejas, pelas drogas distribui seu desespero pelo mundo. Enquanto seus amigos lutam ao seu lado sua próprias vidas. O apartamento está em silêncio. Jeremias vira o corpo do pai. Retira dez reais de sua carteira. Vai até a cozinha e beija o rosto da mãe. Decora o que resta do seu rosto. Uma bala perdida atinge Jeremias. Silêncio. A torcida organizada ergue o corpo de Jeremias enrolado na bandeira. Os jornais publicam que Jeremias era um assassino. Um maníaco que matou pai e mãe. E foi pro jogo com os amigos. Conheçam o Blog do Roberto, clicando no link abaixo: http://oblogdoroberto.zip.net/

sábado, 10 de janeiro de 2009

Blog do Roberto: As cinco grandes finais

94 anos de campeonato pernambucano. De 1915 até 1950, amadorismo. Quem mandava era o Sport e o América. 35 anos de amor à camisa e profissionais importados na hora da decisão. Em 1948/9 a federação tinha quase extinto o nosso campeonato. Mutretagem e política de mãos dadas. Mas em 1950, um sopro de vitalidade chegou aos estádios. Reflexos de uma Copa do Mundo. O trio do frevo tomou conta da folia. O Náutico suplantou o América na final de 1951. E o mundo nunca mais foi o mesmo. Nos últimos 58 anos, apogeu e crise. Glória e terceiras divisões. Utopia e manifesto mangue nas quatro linhas. O genial Adethson Leite publicou o ranking do pernambucano. Mas ranking pernambucano só vale depois de 1950. Antes era a pré-história. Adethson disse que estou querendo puxar a brasa pra minha sardinha: Eu prontamente, discordo Adethson! Estou puxando a brasa pro meu marsupial! Nos textos a seguir, as 5 grandes finais do pernambucano. Os triunfos mais sofridos na pele e na alma. As lágrimas dos vencedores. As derrotas que marcaram época. Nenhuma final do Hexa? Nenhuma final dos anos 90? Nenhum jogo do penta tricolor? Claro que não. Toda final memorável exige, pelo menos, dois times... Grandes Finais: O primeiro campeão! Grandes Finais: 1957, o Supercampeão Grandes Finais: 1977, A final sem fim Grandes Finais: O América de João Cabral Grandes Finais: 2001, as lágrimas alvirrubras

domingo, 21 de dezembro de 2008

Blog do Roberto: Como nascem os carques?

O fantástico Blog do Roberto e seu baú de preciosidades fez mais uma das suas. O foco dessa fez foi a pesquisa da "fonte" dos craques do nosso futebol, uma reflexão sobre o que precisa ser feito para semearmos o caminho das "descobertas". As perguntas que precisam ser respondidas no trabalho peculiar de Vieira são: Quanto custa fabricar um craque? Será que (craque) já nasce feito? Será que ele é craque desde o primeiro jogo? Um craque pode ser destruído pela torcida antes de ser um craque? Confiram o que o médico-escritor-poeta descreve sobre os seguintes atletas: NADO GENA A cada novo ídolo, estaremos atualizando os links dessa página. Parabéns Roberto!!!!

sábado, 8 de novembro de 2008

Arquivo do Roberto: O dia em que a trave era Timbu

Por Roberto Vieira O Coxa não sabia. Mas a trave do Couto Pereira era pernambucana. Pernambucana e Timbu. 30 de outubro de 2006. O Náutico chega em Curitiba para o tudo ou nada. Uma série de insucessos fora de casa atrapalha a volta por cima. A volta para o pelotão de elite do futebol nacional. O Coritiba quer a vitória a qualquer custo. Noite de chuva e frio. Noite de terror. Para os paranaenses. O técnico Hélio dos Anjos alinhou Eduardo; Sidny, Leandro, Breno e Jamur; Luciano, Wagner Rosa (Marcelo Ramos), Nildo e Netinho (Sérgio Manuel); Felipe (Tozo) e Kuki. O Coritiba de Paulo Bonamigo veio com Arthur; Leandro, Índio e Marcelo; Andrezinho, Rodrigo Mancha, Paulo Miranda, Christian e Ricardinho; Caio e Edu Sales. O árbitro Vinícius Costa da Costa apitou a partida para um público de 20 mil pessoas. Perplexas. 1' e o Coxa se lança desesperado ao ataque. Primeiro milagre.Edu Sales cabeceia forte. Eduardo salva com os pés. Santo. De repente. Contra ataque mortal. Bola chega em Kuki. Kuki cruza e... Felipe: 1 x 0! Décimo-terceiro gol de Felipe na Série B. Rápido. Rasteiro. Silêncio. Bonamigo arrisca tudo. Tira Rodrigo Mancha e coloca Batatinha. As bolas cruzam a meta Timbu. Eduardo salva. Quando o primeiro tempo se encaminha para seu final. Caio acerta o ângulo. Improvável. Indefensável. Coritiba 1 x 1 Náutico. As coisas parecem se acomodar no Couto Pereira. Hélio dos Anjos tira Netinho. Entra Sérgio Manuel. O Náutico bota a bola no chão. Equilibra a partida. Mas o Sr. Juiz interpreta como cêra a demora de Luciano Totó em bater uma falta. O Náutico fica com um jogador a menos. Uma bola na trave. Duas bolas na trave. Uma cabeçada de Edu Sales que Eduardo defende. E o lance apoteótico. Edu Sales recebe uma rebatida. Livre. Edu e o gol. E Edu chuta forte, alto... no travessão. Para espanto de 20 mil torcedores nas arquibancadas. O Náutico segue rumo a classificação. Rumo ao seu lugar de direito na elite. E o Coritiba? O Coritiba manda trocar as duas barras do Couto Pereira. Por crime de lesa-pátria... Conheçam o Blog do Roberto, clicando no link abaixo: http://oblogdoroberto.zip.net/

terça-feira, 21 de outubro de 2008

Blog do Roberto: A poesia do futebol

"Ademir impõe com seu jogo o ritmo do chumbo (e o peso), da lesma, da câmara lenta, do homem dentro do pesadelo." No poema acima, João Cabral de Melo Neto homenageia o ídolo Ademir da Guia. Poeta e craque em verso severino. João Cabral poeta, craque e ex-jogador de futebol. Torcedor apaixonado do América-PE. Ademir da Guia, poeta intuitivo. Decassílabo. Alexandrino. Divino. O futebol de Canhoteiro também se emaranhou na memória de Ferreira Gullar. Traduzindo uma parte na outra parte. Será arte? Fosse o futebol um gênero literário, não seria prosa. Tão pouco seria um romance com começo, meio e fim. Fosse o futebol um gênero literário, o futebol seria poesia. Pois todo jogador de futebol é um poeta. Há os repentistas como Cafuringa, Rivaldo e Denílson. Os poetas concretistas Dunga e Zagalo. Os românticos como Telê, Mário de Castro e Tim. Os épicos como Barbosa e Heleno de Freitas. O haikai flamenguista de Radar e do ponta esquerda Júlio César. Breves. Simbólicos. E como esquecer o Homero do futebol brasileiro, Nilton Santos? Mas a poesia no futebol brasileiro não se restringe na habilidade com a bola nos pés. A poesia no futebol brasileiro escorre da pena de Armando Nogueira. Reluz no anjo de pernas tortas do poetinha Vinícius de Moraes. Ou na poesia cruzmaltina de Carlos Drummond de Andrade. A poesia no futebol brasileiro ocupa até as crônicas do futebol brasileiro. Pois não será poesia o texto de Mário Filho e Nélson Rodrigues? Ou a camisa contra o vento de Roberto Drummond? No dia 20 de outubro se comemora o dia nacional da poesia. Outubro, não por acaso mês de Iashin, Charlton, Pelé, Maradona e Mané Garrincha. Muitos torcedores apaixonados compreendem a poesia no futebol. Outros tantos, não enxergam poesia nas quatro linhas do gramado. Exigem relatos jornalísticos. Pragmáticos. Analíticos. Mas tanto uns quanto outros gritam e choram no instante de um gol. Rima rica de quem no futebol, simplemente, amou... Conheçam o Blog do Roberto, clicando no link abaixo: http://oblogdoroberto.zip.net/

segunda-feira, 11 de agosto de 2008

Arquivo do Roberto: 11 de agosto, o dia de São Jorge Mendonça!!!

11 de agosto no calendário Timbu é dia de São Jorge. São Jorge Mendonça. Craque de bola. Titular da seleção alvirrubra de todos os tempos. No dia 11 de agosto de 1974, Jorge Mendonça marcou oito gols num mesmo jogo. Jorge Mendonça 8 x 0 Santo Amaro. Jorge nem tomou conhecimento do santo adversário. O alvirrubro observava o poderoso Santa Cruz rumo ao hexa. Mas o cartão de visitas de São Jorge mostrou que as coisas iam ser diferentes naquele ano. E logo na segunda rodada do estadual. Jorge, sozinho, marcou mais gols que os demais times na rodada. Juntos. O moço de Moça Bonita, trazido pelas sábias mãos de Sebastião Orlando já era cobra criada. Artilheiro do campeonato carioca, um dos artilheiros do campeonato brasileiro pelo Náutico em 1974. Gênio e neurônio em abundância. E caso o juiz Hélio Ferreira não houvesse anulado dois tentos do santo alvirrubro, Jorge teria superado a façanha de Humberto Viana, o célebre Tará, nos anos 40. Aliás, Tará e Jorge Mendonça seriam uma dupla infernal. Anjos e demônios que eram para a defesa adversária. Porém, um fato. Muito alvirrubro fala, pouco alvirrubro lembra. Como foram então, os oito gols daquela tarde de domingo nos Aflitos? Vamos relembrar. Vamos matar a saudade. Vamos celebrar o mito. Aos 11' Juca Show toca para Betinho que descobre Jorge entre os zagueiros. Na saída do goleiro Omar: 1 x 0. Um minuto depois, o lateral Baiano avança e lança Betinho que maliciosamente abre as pernas e deixa Jorge livre: 2 x 0. Aos 20' cruzamento e Jorge Mendonça sobe mais que a defensiva adversária e crava nas redes o terceiro tento. Com 37' o endiabrado Juca Show inventa um passe de curva que é cumprimentado com maestria pelo menino prodígio: 4 x 0. A torcida se levanta nas arquibancadas. Falta aos 42'. Adivinha quem vai bater? Jogada ensaiada. A bomba passa no meio da barreira. Como a cobrança do Brasil na Copa de 74 contra a Alemanha Oriental: 5 x 0. As rádios de todo o país começam a noticiar o fenômeno que ocorre nos Aflitos. Segundo tempo. 13' e Vasconcelos cobra um escanteio. Como um foguete, Jorge aparece entre os zagueiros e escora o sexto tento da partida. O centro é batido. Bate e rebate. A bola chega aos pés de São Jorge que dribla Wilton e Beto, mas sofre pênalti antes de marcar. O próprio Jorge se encaminha para a pelota e decreta 7 x 0! 29' cruzamento de Dedeu e gol de Jorge. Mas o árbitro invalida alegando falta de Juca Show. Até que aos 39' Jorge Mendonça igualou o recorde de Pelé: 8 x 0!! Pelé que no dia 21 de setembro de 1964 havia marcado oito gols na vitória do Santos por 11 x 0 contra o Botafogo de Ribeirão Preto. A torcida não acreditava nos seus próprios olhos. Os jornais de todo o Brasil abriam manchetes. As fotos de Antonio Colhado do Diario de Pernambuco rendiam tributo. Pelé mandou um telegrama de congratulações. Jorge Mendonça virou ídolo e promessa de gol. Esperança para a Copa de 1978. O dia 11 de agosto de 1974 foi também o dia dos pais. E de Pernambuco, o artilheiro mandou um abraço ao Sr. Niltro Mendonça. Niltro Mendonça que recebeu o maior troféu daquela tarde nos Aflitos. A camisa sagrada usada pelo seu filho. São Jorge Mendonça! Relíquia. Santo Sudário de Rosa e Silva... Conheçam o Blog do Roberto, clicando no link abaixo: http://oblogdoroberto.zip.net/

sábado, 2 de agosto de 2008

Arquivo do Roberto: Aquarela do Brasil nos Aflitos

Victor Meirelles era um gênio. Um poeta das tintas. Um catarinense habitante da alma pernambucana. Nós que reverenciamos Monets e Manets, esquecemos os Meirelles. O menino humilde que nasceu em Desterro, Santa Catarina. O pintor das grandes batalhas. O menino que chegou ao Rio de Janeiro aos 14 anos com dinheiro emprestado. O menino que foi adotado por D. Pedro II. Enquanto os impressionistas franceses ainda não impressionavam ninguém, Victor Meirelles aos 24 anos pintou a Primeira Missa do Brasil na França. Obra-prima exibida no Salão de Paris. A pedido do Imperador, Meirelles se enfurna em paisagens de guerra, sangue e pólvora. E pinta a neo-clássica Passagem de Humaitá. Batalha que abriu caminho para a conquista de Assunção pelos brasileiros na Guerra do Paraguai. Nome da rua onde habita o Figueirense. Mas a imagem que os pernambucanos guardam de Victor Meirelles é outra. Todos se recordam dos livros escolares. Do quadro A Batalha dos Guararapes. Uma tela que vale por mil palavras. Um poema em forma de aquarela. Quando Náutico e Figueirense entrarem em campo hoje nos Aflitos, eles poderiam disputar um troféu simbólico: A Taça Victor Meirelles. Uma pequena homenagem ao pintor que faleceu pobre e desamparado. Demitido da Escola Nacional de Belas-Artes como velho pelos republicanos que não lhe perdoavam o talento e a amizade pela família real. Foi morar em um barraco. Trabalhando por migalhas para não morrer de fome. Seus esboços foram entulhados. Anos depois, apodrecidos, desapareceram jogados na baía da Guanabara. Como tralha. Falece em pleno carnaval de 1903. Indigente. Um dos maiores pintores brasileiros, sucumbiu ao país onde nasceu. País feito de escárnio, política e esquecimento. Olhando a fenomenal Batalha dos Guararapes, a emoção se traduz em incredulidade. Em pecado. Victor Meirelles era um gênio. Um poeta das tintas. Um catarinense habitante da alma pernambucana. Nós que reverenciamos Monets e Manets, esquecemos os Meirelles. O menino humilde que nasceu em Desterro, Santa Catarina. O pintor das grandes batalhas. O homem que morreu só e na miséria em uma manhã de carnaval. Aquarela do Brasil. Conheçam o Blog do Roberto, clicando no link abaixo: http://oblogdoroberto.zip.net/

quarta-feira, 30 de julho de 2008

Arquivo do Roberto: O dia em que o Timbu devorou a raposa

Orlando Fantoni foi o treinador do Náutico no título de 1974 impedindo o hexa do Santa Cruz. Também era o técnico do Cruzeiro na derrota por 3x0 na Taça Brasil 1967. Agora, 27 de março de 1983, dezesseis anos depois, ele estava sentado no banco do Arruda para enfrentar Baiano e Mirandinha. O público de 32.000 pessoas viu o Náutico alinhar Pimenta; Vilson, Flavio, Ivan e Albéris; Lourival, Baiano e Manguinha; Heider, Mirandinha e Zé Ronaldo. O Cruzeiro jogou com Victor; Eugênio, Silvio, Ailton e Luis Cosme; Douglas, Eudes e Tostão; Paulo Borges, Edmar e Edu. Com 1’ Tostão dribla a defesa e conclui para grande defesa de Pimenta. E foi só. Aos 5’ Flavio bate falta com perfeição e abre o marcador: 1x0. Com 28’ Baiano e Mirandinha entram tabelando na defesa da raposa e Victor salva. Dez minutos depois Zé Ronaldo pensa duas vezes antes de chutar e Mirandinha toma a bola dele e enfia o pé para fazer 2x0. Foi tão rápido que Zé Ronaldo ficou procurando a bola sem entender o que tinha acontecido. Na volta para o segundo tempo Mirandinha dribla Victor e quase entra com bola e tudo. 3x0! Baiano cabeceia aos 6’ e Victor faz milagre. 15’ Baiano decide fintar o goleiro antes de concluir e a bola beija a trave quando ele já se preparava pra comemorar. 13’ Manguinha dá um chute seco e decreta 4x0. O time se poupa tocando bola, Ademir Lobo entra no lugar de Vilson. Olé. A única defesa de Pimenta foi no começo do jogo. Passou os restantes 89 minutos como um expectador privilegiado da goleada. No banco, Tio Fantoni assistia a tudo. Calado. Distante. Conheçam o Blog do Roberto, clicando no link abaixo: http://oblogdoroberto.zip.net/

sábado, 26 de julho de 2008

Arquivo do Roberto: Náutico x Coritiba

Em 1972 aconteceu a primeira partida entre o Náutico e Coritiba em campeonatos brasileiros. O alvirrubro recebeu o campeão paranaense no Arruda. O jogo foi válido pelo teste 115 da então famosa loteria esportiva. Tão famosa que foi responsável pelo número de equipes naquele campeonato. Foram vinte e seis times, treze jogos por rodada. Treze eram os jogos da loteca. Simples. O Náutico precisava da vitória, pois estava no grupo mais difícil do torneio com Palmeiras, Cruzeiro, Flamengo e Coritiba. Os quatro, campeões estaduais daquele ano. A equipe formou com Helinho; Borges, Sidclei, Gilson e Romero; João Paulo e Vasconcelos; Dedeu, Paraguaio, Paulinho e Tico (Cordeiro). O coxa-branca escalou Jairo; Hermes, Peralta, Cláudio e Nilo; Dreyer e Chiquinho; Flexa (Kruger), Leocádio (Tião Abatiá), Zé Roberto e Fito. Anos depois Jairo foi goleiro do Náutico não deixando boas lembranças, mas na época era cotado para a seleção brasileira. O timbu foi pra cima, pressionou e num lançamento de Vasconcelos, Paraguaio aparentemente desviou para as redes aos 20’ do primeiro tempo. No intervalo Paraguaio confessou que nem havia tocado na pelota, ela tinha desviado em Cláudio. Gol contra. No segundo tempo Zé Roberto, homem de gols e de boates, empatou o jogo: 1x1. Esta partida, porém entraria para a história do futebol mundial por outro motivo. Aqueles eram tempos de linha dura. Quem tinha o poder dizia que prendia e arrebentava. E não falavam isso filosoficamente, não. Era o tempo do telefone e das cadeiras de dragão. O cartão amarelo e vermelho foram bolados para a Copa de 70, depois da carnificina contra Pelé na partida contra Portugal, da expulsão do argentino Ratin contra a Inglaterra e da guerra dos uruguaios no jogo contra a Alemanha na Copa de 66. Aliás, a CBD aprendeu muito com as mutretagens inglesas naquela copa. Mas alguns juízes brasileiros achavam que o método antigo era mais simples. Naquela noite de sábado o árbitro Genibaldo Matos já entrou em campo com cara de poucos amigos. Quando o jogo começou ele foi se irritando com as faltas, os pedidos de cartão, as reclamações. Até que num determinado momento chamou os capitães ao centro do gramado e numa decisão inusitada pegou o cartão amarelo no bolso e atirou no campo. "Perdi a paciência com vocês, seus..., não vou mais advertir ninguém. Quando eu me dirigir a vocês é pra mandar pra casa mais cedo. Todo mundo calado!" O resto do jogo prosseguiu tranqüilo. Em religioso silêncio beneditino. Não se ouviu mais um pio dentro de campo. Conheçam o Blog do Roberto, clicando no link abaixo: http://oblogdoroberto.zip.net/

sexta-feira, 25 de julho de 2008

Arquivo do Roberto: Arrumadinho vs. Feijoada

O jogo de domingo contra o Campinense parece coisa de arrumadinho de feijão com charque. Só parece. Voltando no tempo, mais precisamente para 1999, uma imagem repousa na história. Goiás e Santa Cruz se enfrentavam no Serra Dourada. Um empate dava o título ao Goiás. Classificava o Santa Cruz para a primeira divisão. De repente, a torcida no estádio se cala. As garotas que animam a torcida do Goiás se levantam atrás do gol do time goiano. A bola chutada pelo tricolor vai entrando, mas é salva milagrosamente pelo goleiro Harley. Goleiro que ainda está no Goiás. Uma imagem vale mais do que mil arrumadinhos. Se o empate está de bom tamanho pro Terror do Nordeste, uma feijoada com vitória cai bem melhor... Conheçam o Blog do Roberto, clicando no link abaixo: http://oblogdoroberto.zip.net/

quarta-feira, 23 de julho de 2008

Arquivo do Roberto: O primeiro Nau-Vi

1972. Fonte Nova. Um jogo pra lá de ruim. O primeiro Vitória e Náutico em Campeonatos Nacionais. Verdadeira pelada com acarajé. O técnico Gradim armou o alvirrubro com Lula; Gena, Gilson, Sidcley e Romero; João Paulo e Cordeiro (Vasconcelos); Dedeu, Paraguaio, Paulinho e Elói (Edvaldo). No papel, um time razoável. Mas deixar Vasconcelos na reserva é coisa de Santos Dumont. O Vitória alinhou Geraldo; Roberto, Leleu, Valter e França; Marquinhos e Fernando; Osni, Gibira, Tóia (André Catimba) e Mario Sérgio. Naquela noite o futebol foi esquecido. Os ataques do Vitória se perdiam na linha-burra montada pelo Náutico. Mario Sérgio não conseguia sair da marcação de Gena. A crônica da época nos deixa perplexos. Vasconcelos entrou no lugar de Cordeiro para... garantir o resultado. Difícil acreditar. Mas foi uma outra substituição que trouxe a vitória ao alvirrubro. Gradim sacou Elói e fez entrar a jovem promessa Edvaldo. Onde andará Edvaldo? Paulinho deu um toque sutil aos 37' do segundo tempo. Roberto e Leleu bateram orixás. E Edvaldo cumprimentou mãe menininha do Gantois. Náutico 1 x 0 Vitória de Todos os Santos. Claro que sendo triunfo alvirrubro teve direito a suspense no final. O árbitro Carlos Costa marcou dois toques aos 40' do segundo tempo. Dentro da grande área. Os dez jogadores de linha do Timbu foram pra barreira. Mas a bola preferiu ir parar nas arquibancadas da Fonte Nova. E o Náutico mostrou o que é que Pernambuco tem... Conheçam o Blog do Roberto, clicando no link abaixo: http://oblogdoroberto.zip.net/

Arquivo do Roberto: A Cobra e a Patativa

Hoje Caruaru vive um dia de clássico. Muitos dirão que clássico é outra coisa, coisa de time da capital. Quem sabe? Clássico é o que mete medo em criança e adulto. Clássico é o jogo que abre as portas do paraíso, ou conduz aos quintos dos infernos. Sendo assim, hoje é dia de clássico em Caruaru entre Central e Santa Cruz. Os torcedores do Central lamentam apenas que o timaço dos anos 60 não esteja em campo. Timaço de Dudinha, Dacunha, Zé Carlos, Vadinho, Jucélio, Esquerdinha e Fernando Lima. Timaço que venceu a Argentina, que emprestou quatro jogadores para a seleção pernambucana que bateu a seleção alemã por 1 x 0. Timaço que bateu o Santa Cruz no torneio Gercino Tabosa (foto). Já o Santa Cruz. O torcedor do Santa Cruz já não sonha. Apenas se ajoelha e reza. Meio Ramon já estava de bom tamanho. Mas quem não tem Ramon, caça com Edmundo. Fazer o que? Conheçam o Blog do Roberto, clicando no link abaixo: http://oblogdoroberto.zip.net/

sábado, 19 de julho de 2008

Arquivo do Roberto: A Vila de triste memória

Nem tudo é alegria no reino do futebol. O futebol também é feito de tristeza e fraturas. O que poderia ter sido brecado pela entrada mais dura. Faltosa. Assim foi com Nildo e o nosso, hoje conhecido, André Luís no final do século passado. Jogo Santos e Sport na Vila Belmiro. O Sport disparado na tabela. Leão, técnico da seleção. Nildo prestes a ser convocado. Naquela estranha Copa João Havelange de 2000. André Luís vem desembestado e acerta o craque rubro negro. Nildo chega lesionado ao Recife. Aquele foi o primeiro encontro do futebol pernambucano com um zagueiro de triste memória por estas terras. Um zagueiro que nunca nos trouxe alegria em campo. Apenas pasmo. Indignação. Conheçam o Blog do Roberto, clicando no link abaixo: http://oblogdoroberto.zip.net/

Arquivo do Roberto: Os tigres de dente de sabre

Domingo, o encontro do Hexa com o Octa. Quis o destino que a vingança do Internacional contra o hexa rival Grêmio tivesse início em 1969. Ano da inauguração do Beira-Rio frente ao Benfica. Ano da decadência alvirrubra. Como vermelhos e brancos brincando de revezamento. Em 1962 o Internacional liderava o gauchão seis pontos na frente do tricolor. Numa série inacreditável de três derrotas deixa escapar o título. E vê o rival marchando para a glória. Em silêncio, o colorado constrói seu estádio. Em silêncio remodela sua mentalidade em sessões de freudianas análises. E ressurge para o octa e o tricampeonato brasileiro. Na foto, o Inter tricampeão em 1972. Ainda sem o gênio Figueroa na zaga. Mercê de Bráulio, Paulo César e... Falcão. O futebol ensina coisas que muitos buscam não entender. Coisa de torcedor apaixonado. Cego, surdo e mudo. Pois foi justamente nas derrotas, que o Grêmio também cresceu no cenário brasileiro. Ao ver seu rival octa e tri, o Grêmio foi campeão brasileiro em 1981 e campeão mundial em 1983. Rivalidade é a chave do sucesso. Nos clubes e na vida, quem tem apenas amigos está condenado à estagnação. Às cavernas. Quem nos faz prosperar são os inimigos. Os tigres de dente de sabre do mundo. Conheçam o Blog do Roberto, clicando no link abaixo: http://oblogdoroberto.zip.net/

quarta-feira, 16 de julho de 2008

Arquivo do Roberto: 1972, Náutico 2x1 Portuguesa

O Náutico tem uma lembrança imortal da Portuguesa de Desportos. No dia 27 de setembro de 1972, o Náutico venceu a Portuguesa por 2 x 1. A primeira vitória do Timbu em campeonatos nacionais. Os dias que antecederam o jogo foram tumultuados. Durante cinco rodadas o Náutico sentira a vitória escapando entre seus dedos. Traiçoeira. Vã. Paraguaio havia sido sacado do time. Gradim balançava no cargo. Elói driblava no vazio. A Portuguesa trazia o jovem Enéas. Uma das maiores promessas do futebol brasileiro na década de 70. A Portuguesa que havia vencido a Hungria por 2 x 0. Gradim chama Paraguaio num canto depois de um treino estafante. Gradim implica com o centroavante. Centroavante que foi lançado no sacrifício nos primeiros jogos, com uma contusão no tornozelo. Mas Paraguaio resume tudo numa frase: "Eu sei que dá pra jogar!". E Paraguaio é escalado como o salvador da pátria alvirrubra. O Náutico formou com Lula Monstrinho; Gena, Ubirajara, Sidclei e Romero; João Paulo, Cordeiro e Vasconcelos; Elói (Galdino), Paraguaio e Pereira (Paulinho). A Portuguesa veio de Carioca; Deodoro, Dacio, Guaraci e Fogueira (Isidoro); Didi e Dicá; Xaxá, Enéas, Basílio e Wilsinho. Basílio que seria o herói do Corinthians em 1977. O Arruda estava tenso. A torcida alvirrubra, sofrida. O Náutico começa com tudo. Lula apenas assiste o espetáculo. Mas Dicá encaixa os lançamentos. Basílio chuta na rede pelo lado de fora. Enéas perde um gol feito. Paraguaio toca para Pereira que dribla Dacio e quando vai chutar... pênalti. O juiz ignorou solenemente a falta. Pereira toca de cabeça para Paraguaio cara a cara. E Paraguaio perde. 0 x 0. Elói recebe, dribla um, dois e é selvagemente atacado no vietnã da pequena área. Pênalti? Pênalti! Gol? Não. Carioca defende a penalidade máxima. O 0 x 0 do primeiro tempo persiste. Mas aos 25' do segundo tempo Paraguaio enche o pé e marca: 1 x 0. Paraguaio, o dono da festa? Ele mesmo. Dois minutos depois Paraguaio é lançado. Carioca sai desesperado. Paraguaio toca mansamente por cima do goleiro luso, a bola descreve uma parábola, toca na trave e volta no zagueiro Guaraci: 2 x 0! Acabou? Não. Aos 17 anos Enéas aproveita o rebote de uma bola na trave de Xaxá: 2 x 1. O Náutico fecha a porteira. A Portuguesa vê o tempo passar com a bola de pé em pé dos alvirrubros. O Professor Gradim caminha para a beira do gramado e em silêncio abraça o Doutor Paraguaio. E os primeiros dois pontos de uma vitória entram para a história de Rosa e Silva. Sofridos. Suados. Alvirrubros... Conheçam o Blog do Roberto, clicando no link abaixo: http://oblogdoroberto.zip.net/

sábado, 12 de julho de 2008

Arquivo do Roberto: 1973, Náutico 0 X 0 Sport

Foi um jogo banal entre duas equipes desesperadas no Brasileirão. O Náutico já era um embrião de um grande time com Jorge Mendonça e Sidcley. O Sport era o próprio embrião com Odilon. Criança em campo. Jovem jogado às feras. O Náutico atuou com Helinho; Borges, Djalma Sales, Sidcley e Cincunegui; Divino e Vasconcelos; Gilvan, Jorge Mendonça, Edvaldo e Betinho (Paraguaio). O técnico Schiller Diniz achava que Paraguaio, Dedeu e Jorge Mendonça não podiam jogar juntos. Imaginava que Edvaldo era o novo Bita. Que fazer? No dia 11 de novembro de 1973, um público de 22.713 pagantes assistiu o primeiro Clássico dos Clássicos em Campeonatos Brasileiros. Um jogo apitado discretamente pelo mineiro Maurílio José Santiago no Arruda. Como discreto foi o 0 x 0 final. O Sport alinhou Tião; Marcos, Lima, Lula e Grilo; Meinha e Rubens Salim; Ditinho (Wilson), Odilon, Moacir e Orlando. O Sport limitou-se a fechar a entrada área. Quando Odilon tentava alguma coisa, a defesa do Náutico parava o jogador no pau. A única chance real do primeiro tempo veio por intermédio de Betinho que cruzou violentamente da esquerda para Gilvan que falhou na conclusão. Aos 5' do segundo tempo o jovem Edvaldo chutou de primeira para um milagre de Tião. Odilon invadiu a área e foi desarmado por Djalma Sales na última hora. De carrinho. E foi só. Náutico e Sport continuavam com chance de classificação para a segunda fase. Porém, apenas o Santa Cruz de Ramon chegaria mais longe no torneio. Dois dias depois o governo anunciava um aumento de 10% na gasolina. O conflito entre árabes e judeus chegava ao Brasil. O Milagre Brasileiro chegava ao fim. Conheçam o Blog do Roberto, clicando no link abaixo: http://oblogdoroberto.zip.net/