sexta-feira, 16 de janeiro de 2009

O Pai de Agustín (Por Roberto Vieira)

O pai de Agustín estava feliz. Acabara de marcar o centésimo gol com a camisa do Brasil de Pelotas. Tamanha foi a alegria, que o pai de Agustín pulou o alambrado. Foi comemorar com a torcida. E voltou a campo sem o par de chuteiras. Par de chuteiras que iria presentear a seu filho único. Parece que foi ontem. Semana que vem completa um ano. Hoje, os olhos de Agustín estão úmidos. Rasos d'água. E os olhos de uma criança jamais deveriam chorar. Mas a vida tem seus momentos de gols e seus momentos de derrotas. Com o tempo, a gente aprende que algumas derrotas são eternas. Únicas. Paradoxais. A torcida alvirrubra, assistiu o pai de Agustín defendendo o Clube Náutico Capibaribe. Um uruguaio dividindo a responsabilidade de fazer gols com Adriano. Era um tempo de vacas magras. Raquíticas. Entretanto, o pai de Agustín saia de campo invariavelmente suado. Cansado pela entrega em campo durante os 90 minutos. Para ele, o impossível era uma metáfora. Tal esforço e dedicação, ele levou para o rival Santa Cruz. Com esse espírito de luta, ajudou o tricolor a voltar a Série A do Brasileirão. Não sem antes participar de um episódio pitoresco. O Santa Cruz precisava de apenas um empate contra o Goiás na última partida. Todo mundo em campo se fingiu de bobo. Todos? Menos o pai de Agustín. Ele jogou, driblou, meteu uma bola na trave. Teve que ser substituído pelo técnico Nereu Pinheiro. Porque o Pai de Agustín não sabia o que era jogar sem lutar. Sem buscar a vitória. Hoje, numa curva da BR-392, em Canguçu, Rio Grande do Sul, o pai de Agustín perdeu sua última partida. Uma daquelas derrotas eternas. Únicas. Paradoxais. Uma batalha para a qual nenhum drible se impõe: A batalha da vida. O pai de Agustín já não irá lhe presentear com seu par de chuteiras. Nem vai lhe contar dos seus gols. Das suas arrancadas. Não verá o filho correndo pelos gramados da escola, estufando as redes imaginárias da adolescência. Não verá o filho do seu filho. Agora, o pai de Agustín é a lembrança do seu filho e da sua esposa, Carolina. Daqui do Recife, nesse dia de chuva torrencial, os torcedores mandam suas lembranças. Agustín! A lembrança de um gol nos olhos do seu filho, é a mais bela lembrança que um jogador de futebol leva dessa vida. Lembre do seu pai, Cláudio Millar, como ele gostaria de ser lembrado. Como nós todos iremos lembrar. Lutando, correndo, marcando gols. Pode parecer pouco. Mas, alguns gols, é tudo que se leva dessa vida...

2 comentários:

Anônimo disse...

Permitam-me cumprimenta-los por mais um ano de vitória do Blog dos numeros.

Vem ai mais um ano de sucesso, Os reporteres agradecem por tantas e tantas dicas...

Um abraço que O SENHOR continue dando sabedoria a voces.

Martinelli

Adethson Leite disse...

Martinelli,

Vc é uma das pessoas que ao longo do tempo sempre demonstrou carinho e respeito por esse trabalho, sem alardear ou dar tapinhas nas costas.

Isso é muito gratificante, pois sabemos como é difícil conquistar os espaços que buscamos e vc sempre teve uma cabeça aberta para isso.

O que nos resta dizer para pessoas que nos iluminam o caminho, sempre com palavras animadoras e desejo de sucesso é muito obrigado.

Que a força de nosso Senhor continue iluminando sua mente, sua vida e nossos corações!